Já não consigo escrever mais. escorrego em rodinhas.
ai
para não perder o costume esse amor, que de mistura não sabe bem o que sente. o que sente através desse amor. do que é o amor e o que ele resulta. na beleza do amor.
pois há sempre suspiros a dar e em suspiros transbordo-me de mim mesma
ai
mais do que nunca despida disfarçando o juízo e quereria no abismo lançar-me
movi ventando...
movi levando para o mais fundo onde fica a graça do amor
o amor é uma taquicardia! não podia ser coisa do bem isso de apavorar o juízo por um não-sei-o-quê de palavras que vinham sinuosas, despreocupadas... enroladas em sua fala tão cerrada.
para todos eles: desfibrila dor.
nenhuma forma de vida que alivie o estado fascinante de ser vivo todas estão de forma certa forma alguma contaminadas adestradas civilizadas.
cadê meu desfibrilador:
o preto é preto o desenho não é desenho que mais falta para o céu desabar sobre as cabeças de todas as cores e tamanhos, de sinapses diferenciadas e intensidade variável.
e debaixo da mesa das cartas e das certezas brota broto de ignorância
para quê levar a seiva todo dia?
*e de tanto automatismo, me perdi. às vezes quero pôr palavras em cima do monitor. às vezes suprimo. outras excedo. o ponto é vírgula exclamo fico muda dois pontos pergunto anh? igual patinete
segunda-feira, 15 de junho de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
sim, é preciso.

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema da Necessidade. In: Sentimento do Mundo)
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema da Necessidade. In: Sentimento do Mundo)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
O que há de admirável no fantástico é que não existe mais o fantástico: só há o real (2)
do Surrealismo.
inusitadamente, parte 2.
Um assalto a um cabeleireiro na Rússia está a mobilizar a polícia. O crime envolve o assaltante e a cabeleireira do estabelecimento assaltado.
A cabeleireira, identificada como Olga, de 28 anos, viu o seu salão invadido por um homem na passada terça-feira, dia 14. Olga, experiente em artes marciais, conseguiu dominar Viktor, de 32 anos, e levou-o para uma sala reservada. No entanto, não chamou a policia.
Olga obrigou o assaltante a tomar Viagra para depois abusar dele várias vezes durante os dois dias seguintes.
Quando foi libertado, o assaltante dirigiu-se ao hospital para curar o pénis «magoado» e depois à esquadra para registrar queixa contra a cabeleireira que, por sua vez, só no dia seguinte registrou queixa contra Viktor por assalto. No entanto, a história confunde-se ainda mais porque a policia não consegue ter a certeza sobre quem é o verdadeiro criminoso deste caso de assalto.
*matéria retirada do site http://www.tvi24.iol.pt/geral/assalto-russia-cabeleireiro-tvi24/1058236-4207.html
Olga é um ícone!
Esse é o tipo de notícia que eu um dia esperava. pelo estrondo, pela graça, pelo prazer, pelo sangue meu, de minha mãe, minha avó, minhas tias, e de tantas outras, todas as outras....
Mas confesso que muito mais pelo prazer e pela graça de saber que ela fez o que eu não teria coragem de fazer, mas que meu espírito enquieta-se de um tanto imaginando como seria bom realizar tais peripécias... E não, não pela satisfação de meus desejos, mas o desejo da inversão. O opressor virando oprimido. Porque... por que fazemos com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco? Por que é tão difícil colocar-se no lugar do outro?
Confesso (2) que é um sentimento sórdido, nem eu mesma o aprovo. Até porque nunca consegui executá-lo. Alguém tinha que fazer o trabalho sujo. Olga.
Agora Olga também paga um preço.
- Oi, linda..posso te conhecer?
- Ops, dá licença..
- Oh, morena, é rápido! - solavanco na cintura dela e a puxa pelo braço tentando se aproximar ao máximo de seu rosto
- Ei! Pára! - desprende-se com dificuldade do maroto.
- Ihhhh, tá nervosinha, é?? Nem queria merrrrmoo! (mal-comida!)
Em outro site, o assaltante é visto como um "pobre criminoso que só queria roubar umas coisinhas";
em todos eles a polícia, que coisa, não sabe quem é o verdadeiro criminoso;
e é lançada, descaradamente, a seguinte pergunta: "Mas o maior beneficiado a gente já sabe, né, Viktor?"
Quer dizer...
vai demorar tanto tanto tanto pra esses bicho virar homi... nem salão de beleza dá jeito.
inusitadamente, parte 2.
Um assalto a um cabeleireiro na Rússia está a mobilizar a polícia. O crime envolve o assaltante e a cabeleireira do estabelecimento assaltado.
A cabeleireira, identificada como Olga, de 28 anos, viu o seu salão invadido por um homem na passada terça-feira, dia 14. Olga, experiente em artes marciais, conseguiu dominar Viktor, de 32 anos, e levou-o para uma sala reservada. No entanto, não chamou a policia.
Olga obrigou o assaltante a tomar Viagra para depois abusar dele várias vezes durante os dois dias seguintes.
Quando foi libertado, o assaltante dirigiu-se ao hospital para curar o pénis «magoado» e depois à esquadra para registrar queixa contra a cabeleireira que, por sua vez, só no dia seguinte registrou queixa contra Viktor por assalto. No entanto, a história confunde-se ainda mais porque a policia não consegue ter a certeza sobre quem é o verdadeiro criminoso deste caso de assalto.
*matéria retirada do site http://www.tvi24.iol.pt/geral/assalto-russia-cabeleireiro-tvi24/1058236-4207.html
Olga é um ícone!
Esse é o tipo de notícia que eu um dia esperava. pelo estrondo, pela graça, pelo prazer, pelo sangue meu, de minha mãe, minha avó, minhas tias, e de tantas outras, todas as outras....
Mas confesso que muito mais pelo prazer e pela graça de saber que ela fez o que eu não teria coragem de fazer, mas que meu espírito enquieta-se de um tanto imaginando como seria bom realizar tais peripécias... E não, não pela satisfação de meus desejos, mas o desejo da inversão. O opressor virando oprimido. Porque... por que fazemos com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco? Por que é tão difícil colocar-se no lugar do outro?
Confesso (2) que é um sentimento sórdido, nem eu mesma o aprovo. Até porque nunca consegui executá-lo. Alguém tinha que fazer o trabalho sujo. Olga.
Agora Olga também paga um preço.
- Oi, linda..posso te conhecer?
- Ops, dá licença..
- Oh, morena, é rápido! - solavanco na cintura dela e a puxa pelo braço tentando se aproximar ao máximo de seu rosto
- Ei! Pára! - desprende-se com dificuldade do maroto.
- Ihhhh, tá nervosinha, é?? Nem queria merrrrmoo! (mal-comida!)
Em outro site, o assaltante é visto como um "pobre criminoso que só queria roubar umas coisinhas";
em todos eles a polícia, que coisa, não sabe quem é o verdadeiro criminoso;
e é lançada, descaradamente, a seguinte pergunta: "Mas o maior beneficiado a gente já sabe, né, Viktor?"
Quer dizer...
vai demorar tanto tanto tanto pra esses bicho virar homi... nem salão de beleza dá jeito.
sábado, 18 de abril de 2009
° O que há de admirável no fantástico é que não existe mais o fantástico: só há o real.

do Surrealismo.
Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de qualquer preocupação estética ou moral.
° Reduzir a imaginação à escravidão, mesmo que se tratasse do que grosseiramente se chama de bondade, será privar-se de tudo aquilo que se encontra no âmago de si mesmo, de justiça suprema.
° Os processos lógicos, de nossos dias, só se aplicam à resolução de problemas de interesse secundário. O racionalismo absoluto que continua na moda só permite considerar fatos de pequena relevância de nossa experiência. Os fins lógicos, ao contrário, nos escapam. Sob as cores da civilização, a pretexto de progresso, chegou-se a banir do espírito tudo aquilo que, com ou sem razão, pode-se classificar de superstição, de quimera.
[ Eu quisera dormir, para poder me entregar aos que dormem, como me entrego aos que me lêem, com os olhos abertos; para deixar de fazer prevalecer nesta matéria o ritmo consciente de meu pensamento.]
(BRETON, André. Manifesto do Surrealismo 1924)
sexta-feira, 10 de abril de 2009
que santa que santa que santa qual nada é a minha religião.
que medo que medo que medo de fazer feio o que é corão.
desejo
alimento
exorcizo
invado
desacredito
que razão ou posição que lhe confere destaque é suficiente para coibir os meus atos ou palavras que não cabem que amarrotam-se nos seus livros?
pois que para sabotá-lo tive de conhecê-lo.
itabirano que disse "como é triste ignorar certas coisas" entendia do sofrimento alheio e o que estava em seu meio; como é fácil ver meu-teu corpo rasgando-se em pontos de interrogação qual bicho
qual bicho interroga-se?
bicho-eu que tem mania por querer saber das coisas e dos ventos e pra onde sopram eles e por quê sopram e de onde foram soprados leva o barco para além do horizonte que para lá também existe sim, o mar. onda que leva para lá e traz para cá. do mar.
e trouxe a civilização.
e trouxe os bons costumes.
a religião-obrigação.
o casaco de pele.
a pólvora.
e levou a organização.
e levou os bons valores.
a cultura pagã.
a tanga de neve.
a coragem.
*ainda há o que dizer, mas não há mais tempo.
uma páscoa regada.
com o que lhes convir, macacada.
que medo que medo que medo de fazer feio o que é corão.
desejo
alimento
exorcizo
invado
desacredito
que razão ou posição que lhe confere destaque é suficiente para coibir os meus atos ou palavras que não cabem que amarrotam-se nos seus livros?
pois que para sabotá-lo tive de conhecê-lo.
itabirano que disse "como é triste ignorar certas coisas" entendia do sofrimento alheio e o que estava em seu meio; como é fácil ver meu-teu corpo rasgando-se em pontos de interrogação qual bicho
qual bicho interroga-se?
bicho-eu que tem mania por querer saber das coisas e dos ventos e pra onde sopram eles e por quê sopram e de onde foram soprados leva o barco para além do horizonte que para lá também existe sim, o mar. onda que leva para lá e traz para cá. do mar.
e trouxe a civilização.
e trouxe os bons costumes.
a religião-obrigação.
o casaco de pele.
a pólvora.
e levou a organização.
e levou os bons valores.
a cultura pagã.
a tanga de neve.
a coragem.
*ainda há o que dizer, mas não há mais tempo.
uma páscoa regada.
com o que lhes convir, macacada.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
em que movi?
movimento.
dança das árvores.
lua que ilumina a relva e a selva.
olho que olha a selva de dentro dos meus olhos girando entre ira e afeto, pois que para haver história que se desenvolva é necessário conflito isso e aquilo me move comove absorve cria movi.
o menino que dorme na calçada não possui mais que uma micro-análise, um ato apenas. o menino que dorme na calçada parece triste e me move para o outro lado e me comove a selva e me absorve sempre até ficar triste.
desta fenda em que está agarra-se a que?
saudade, saudade, saudade...
na selva, no baixo ventre, no movi.
dança das árvores.
lua que ilumina a relva e a selva.
olho que olha a selva de dentro dos meus olhos girando entre ira e afeto, pois que para haver história que se desenvolva é necessário conflito isso e aquilo me move comove absorve cria movi.
o menino que dorme na calçada não possui mais que uma micro-análise, um ato apenas. o menino que dorme na calçada parece triste e me move para o outro lado e me comove a selva e me absorve sempre até ficar triste.
desta fenda em que está agarra-se a que?
saudade, saudade, saudade...
na selva, no baixo ventre, no movi.
Assinar:
Postagens (Atom)