assim que desperto, ei-los. estão famintos e não há condições de afagá-los.
o sono, invencível jaula dos animais, estes invisíveis tiranos de um cotidiano
sem flor, o sono trafega em turno inoperante e ao deixar meu corpo abre as
portas do confinamento de meus rivais. O pai, sempre me alertara sobre tudo,
menos isso. e, então, isso não era, pois, previsível? Portanto, por quê não há
registro de qualquer discurso sobre quantos possíveis leões se apresentariam
e resolveriam grunhir tão alto em meus labirintos a ponto de nada mais se
poder ouvir? a mãe, no entanto, sempre com muito mistério o fez. resta saber
para quê tanto mistério que me fez não captar o aviso, dando um pelo outro na
mesma situção: o despreparo. sábios são os felinos. e ferozes arrancam mel,
arrancam, arrancam cordões, arrancam tudo, as cores todas, os exageros simpáticos, arrancam mesmo.
Arrancam qualquer lua cheia, alto salto. felizes os japoneses que já nasceram
com mania de reconstrução. pudera eu ser filha desta terra e que viessem mil leões, mil escangalhaços, mil espatacadas aqui e ali a recatar.
Bravos.
a terra lhes dá água revolvida, mistura de sal e pepino molecular ativação. Mas,
meu ancestral deste mora longe e nasceu em sina de resistência. que também é
necessária, porém não morde. e eu quero poder morder; morder-arrastar.
espantar qual fera companhias cretinas, ver o Sol como Sol que queima e nunca esfria, sentir as flores fotossintetizando e não sufocantes.
de um bote, tornar-me leão, rei de meu reino.
Infinito de Iáiá
sábado, 25 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Ouriço
entre pedras
sob o Sol luminoso
vive só em si.
o ecossistema é um grande vazio redundante.
escadas pedregosas
soerguidas certa vez
por algum habitante, ou
mero visitante, e até
quem sabe por eles todos.
cada um a sua vez.
uma jornada excitante essa:
construir degraus.
ventos sobre o mar
a fronte encharcada
e o horizonte coberto com as cobiçadas naus.
- vamos!, não pôde ser dito.
lá se vão à outro recanto estas embarcações
quantas gentes irão nelas?
homens? terão crianças à bordo?
mulheres? Para onde vão?
O que levam?
Poderiam naufragar após densa tempestade.
Não se sabe.
E andando aos espinhos
cavam-se corais.
sob o Sol luminoso
vive só em si.
o ecossistema é um grande vazio redundante.
escadas pedregosas
soerguidas certa vez
por algum habitante, ou
mero visitante, e até
quem sabe por eles todos.
cada um a sua vez.
uma jornada excitante essa:
construir degraus.
ventos sobre o mar
a fronte encharcada
e o horizonte coberto com as cobiçadas naus.
- vamos!, não pôde ser dito.
lá se vão à outro recanto estas embarcações
quantas gentes irão nelas?
homens? terão crianças à bordo?
mulheres? Para onde vão?
O que levam?
Poderiam naufragar após densa tempestade.
Não se sabe.
E andando aos espinhos
cavam-se corais.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Meu Life.
Dá-me a chance de continuar.
No mais profundo do pré-sal.
Life.
O video-game dos dias atuais
Resistir ao ataque dos zumbis,
e quando chegar a 10% do coração,
Life.
Em plena ditadura, a tortura
abaixo da superfície no tonel.
O2 aos detalhes,
Life.
Mostra-me o por quê de seguir.
Há frutas, bicicletas, galos, soja.
Life.
O país não é Tizangara, as
propagandas do governo são esperançosas,
Life.
Podia a Literatura ter parado
a produção e me esperar...
Compreensível.
Nem eu me espero.
porém meu life me faz permanecer
ainda um pouco um tanto
mais.
08/11/2010
No mais profundo do pré-sal.
Life.
O video-game dos dias atuais
Resistir ao ataque dos zumbis,
e quando chegar a 10% do coração,
Life.
Em plena ditadura, a tortura
abaixo da superfície no tonel.
O2 aos detalhes,
Life.
Mostra-me o por quê de seguir.
Há frutas, bicicletas, galos, soja.
Life.
O país não é Tizangara, as
propagandas do governo são esperançosas,
Life.
Podia a Literatura ter parado
a produção e me esperar...
Compreensível.
Nem eu me espero.
porém meu life me faz permanecer
ainda um pouco um tanto
mais.
08/11/2010
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Vômito
É. Falar de política está mesmo fora de moda. Não que ser alienado seja o top list da estação. Bom, espero que não. Mas... penso que a organização política não está apenas fora de moda, mas também veio a falir, de modo a não ter mais possibilidade de existir. Pelo menos, não nos moldes capitalistas atuais. Essa conjuntura chegou a tal ponto que apenas a verdadeira anarquia poderia agradar a enormidade de opiniões coexistentes. Há uma bagunça nos edifícios do Planalto. A democracia existe para apoiar, mesmo as opiniões sem princípio. Como um país demora tanto tempo para aprovar leis como a Ficha Limpa? Ou como elas se tornam necessárias? Isso é o mais escancarado atropelamento do que há de mais importante na vida em coletivo. A supressão de princípios básicos!
Até gostamos de não pagar a conta de luz! Amamos os filmes piratas! Falsificamos as carteiras de estudante!
Desacredito nos governos.
Como viver tranquilo com tantas aberrações espalhadas no nosso cotidiano?
Sejamos autônomos! As leis virão de dentro pra fora. Sejamos leais a elas.
Deixemos os ratos com os ratos.
Quem é de paz, chegue mais.
Até gostamos de não pagar a conta de luz! Amamos os filmes piratas! Falsificamos as carteiras de estudante!
Desacredito nos governos.
Como viver tranquilo com tantas aberrações espalhadas no nosso cotidiano?
Sejamos autônomos! As leis virão de dentro pra fora. Sejamos leais a elas.
Deixemos os ratos com os ratos.
Quem é de paz, chegue mais.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
EXÍLIO
Longe de eu
deeusó
estar profundo
des-humano assim é.
É afogar as meninas
de tanto aiai.
viver sem chá.
baiano não gritar minha porra.
criança ir trabalhar.
sorvete nunca.
maspode mã? (balanço horizontal de cabeça).
o buda não meditar.
respiro quente, engulo azedo.
a vida não deixa nem uma colher rasa
de açúcar.
e a possibilidade de misturar o cheiro
azedude mocofó chongô do arrependimento
daquilo que não teríamos feito em/nas
CNTP.
Perdão, perdão. Favor aceitar desculpas.
Estar mais longe de si do que
de seu país: isso sim é exílio.
Querer, siquerer.
amarfanhar-me de mim mesma.
Desenhar que me amo e que de
mim não me separo-me nevermore
sobreviver os meus dissabores as delícias
que hão de me aplacar e gritar
alto e sempre mais o quanto vale
ser me mim si eu
sou eu que gritarei e ouvirei meus
clamores surdinos sardentos sarnentos
dos que não sou eu mesma.
brigar com as oleosidades estranhas
expeli-las. vai-te!
vem-me!
sossega em mim, eu.
deeusó
estar profundo
des-humano assim é.
É afogar as meninas
de tanto aiai.
viver sem chá.
baiano não gritar minha porra.
criança ir trabalhar.
sorvete nunca.
maspode mã? (balanço horizontal de cabeça).
o buda não meditar.
respiro quente, engulo azedo.
a vida não deixa nem uma colher rasa
de açúcar.
e a possibilidade de misturar o cheiro
azedude mocofó chongô do arrependimento
daquilo que não teríamos feito em/nas
CNTP.
Perdão, perdão. Favor aceitar desculpas.
Estar mais longe de si do que
de seu país: isso sim é exílio.
Querer, siquerer.
amarfanhar-me de mim mesma.
Desenhar que me amo e que de
mim não me separo-me nevermore
sobreviver os meus dissabores as delícias
que hão de me aplacar e gritar
alto e sempre mais o quanto vale
ser me mim si eu
sou eu que gritarei e ouvirei meus
clamores surdinos sardentos sarnentos
dos que não sou eu mesma.
brigar com as oleosidades estranhas
expeli-las. vai-te!
vem-me!
sossega em mim, eu.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Teoria B.
, coisa que acontece quando se compra biscoito achando ser ele salgado, e, no entanto, ao dissolver da guloseima percebe-se que se enganara na compra. Pela embalagem - tinha toda cara de ser doce. Será um susto por que passaremos muitas vezes durante...o desenrolar do óbvio - o rolo, fazendo o contrário do enrolar, que assim estamos em começo de vida. Não importando, neste caso, onde se inicia tal coisa, já que de zigoto a feto, me parece estarmos todos de lá até cá desenrolando-se. Basta imaginar a sequência dos fatos. Enfim, somos também, algum dia, a embalagem distorcida de outrem. Falo dos que são acometidos pela impressão e não dos que a usam por maldade ou fim. Aqueles, sofrerão injustas ofensas pela força da situação, como diria alguém, Poxa, eu pensei que delcrano fosse tal coisa, um ícone, e sem terminar, trêspontinhos suspensos no ar - o que entenderemos que diria, muito provavelmente, Mas não é.
Já embalei muitas pessoas, e acredito já ter sido embalada, e sim. Difícil deixar de. É preciso treino para remover o hábito. Na vida não há nada que se pense de alguém que não tenham pensado sobre si. Ainda que não seja verdade.
(Teoria do biscoito - somos um, e também uns dezoito.)
Já embalei muitas pessoas, e acredito já ter sido embalada, e sim. Difícil deixar de. É preciso treino para remover o hábito. Na vida não há nada que se pense de alguém que não tenham pensado sobre si. Ainda que não seja verdade.
(Teoria do biscoito - somos um, e também uns dezoito.)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Efemerização
Há o tempo morto, o antigo,
o divertido, e há dias...
Há dias sinto-me assim,
outrossim, assado.
Se frito em um,
noutro será panquecas.
Porque chove a janela do apartamento
enquanto calada, a da alma, inunda por dentro?
quero maçãs corridas
distúrbio de paredes
corram as avenidas, pois desejo todos e por todos clamo
tornar pública o cárcere privado
que cárcere não o é?
precisamos.
(como se faz pausa na prosa?)
Parem de ler. Reparem. Escutem as letras
corridas
maratona do olhar.
Volta a correr, desafia o instinto imutável
Brota motivação não-sei-de-onde.
Às vezes, sou cão.
Sacudo as orelhas, espreguiço para trás, durmo por 45 minutos.
Quando não sou livro.
Do alto é legal, de lado enxergo quinas
e na tarde aparo-as:
ex-quinas; ser algo que ser quer em decorrênciaa
de tempo
desgaste ou solução.
Nunca deixarão de existir,
entretanto. Formar-se-ão continuamente, entre um aparo e outro.
Estas ex-quinas em muito se assemelham às esquinas.
Estas, por determinarem os encontros nas ruas.
Aquelas, os encontros que se dão em si, na sua.
o divertido, e há dias...
Há dias sinto-me assim,
outrossim, assado.
Se frito em um,
noutro será panquecas.
Porque chove a janela do apartamento
enquanto calada, a da alma, inunda por dentro?
quero maçãs corridas
distúrbio de paredes
corram as avenidas, pois desejo todos e por todos clamo
tornar pública o cárcere privado
que cárcere não o é?
precisamos.
(como se faz pausa na prosa?)
Parem de ler. Reparem. Escutem as letras
corridas
maratona do olhar.
Volta a correr, desafia o instinto imutável
Brota motivação não-sei-de-onde.
Às vezes, sou cão.
Sacudo as orelhas, espreguiço para trás, durmo por 45 minutos.
Quando não sou livro.
Do alto é legal, de lado enxergo quinas
e na tarde aparo-as:
ex-quinas; ser algo que ser quer em decorrênciaa
de tempo
desgaste ou solução.
Nunca deixarão de existir,
entretanto. Formar-se-ão continuamente, entre um aparo e outro.
Estas ex-quinas em muito se assemelham às esquinas.
Estas, por determinarem os encontros nas ruas.
Aquelas, os encontros que se dão em si, na sua.
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